quarta-feira, 30 de julho de 2008

Poema do Homem Só

Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.

Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem

Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.

Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarçe,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.

António Gedeão

quarta-feira, 16 de julho de 2008

I'm in the mood for... (2)

... because sometimes it´s good to be knotty :p


Before you go and
Leave this town
I want to see you one more time
Put your dirty angel face
Between my legs
And knicker lace

Fight me, try me
Kiss me like you like me
Twist it round again and again

I want to run away with you
Your caravan and rabbit stew
Don't buy me candyfloss or bears
Swarfega fingers, I want you there

Fight me, try me
Kiss me like you like me
Twist it round again and again

Ride me, try me
Kiss me like you like me
Twist it round again and again
Twist it round again and again

Fight me, try me
Kiss me like you like me
Twist it round again and again

Fight me, try me
Kiss me like you like me
Twist it round again and again
Twist it round again and again
Twist it round again and again


"Twist" by Goldfrapp


terça-feira, 8 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Hoje o Círculo é bebé


... obrigado a todos pelas visitas... pelos comentários... e acima de tudo, pela paciência :)

sábado, 28 de junho de 2008

Já cá canta :D


... estes senhores estão cada vez melhores... com uma sonoridade ligeiramente diferente, arrisco-me a dizer que este é o seu melhor álbum ;)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A essência de um grito


"A voz esconde-se no fundo da garganta como um prisioneiro em fuga. Se engolir em seco consigo senti-la atrás da língua, logo depois de uma gargalhada obscurecida por uma dor que o tempo cimentou.

Por detrás da minha voz está guardado um grito espinhoso há muito prometido mas infinitamente adiado. A boca sangra com a violência do animal enraivecido que a habita. O chicote de dor alimenta o meu grito, tornando-o indomável e imprevisível. Quero gritar, quero tirar de dentro de mim este cancro de mágoas que me come por dentro como uma infecção desconhecida. Quero que este universo de desejos incompreendidos e desilusões de mármore desapareçam com a pele que me cai.

Perdi a minha voz por entre as palavras que ofereci em vão. Agora sobrou uma espécie de gemido que ninguém ouve. Sinto crescer no peito e subir pela garganta todo o bolo amargo das injustiças e traições que alimentam a minha raiva e minam a minha confiança. Quero sacudir dos meus ossos todas as lembranças que por lá ficaram cravadas como despojos de um conflito que o tempo apagou. Mas o campo de batalha continua activo com uma guerra que há muito se perdeu. Cada inspiração ressuscita um soldado que se recusa a morrer sem que lhe expliquem por que viveu. Cada luta armada não é uma vitória mas sim um tormento sem fim à vista. Mas continuamos a lutar, mesmo que saibamos que há muito o nosso papel nesta guerra deixou de ter importância. As batidas cardíacas há muito que perderam a vitalidade de outrora. Fomos consumidos pelo nosso desejo de nos conquistarmos por inteiro… sem dúvidas… sem remorsos… segurar nas mãos o interior mais profundo que nos habita.

Caminhamos na direcção que o sol aponta, tentando encontrar-nos em cada esquina, livres da culpa de sermos quem nunca desejámos ser. Quero fazer as pazes com a pessoa que me olha quando me cruzo com um espelho… a mesma que se derrama e esconde por entre todas estas palavras sem sentido…

O fumo negro escurece a vista. Para trás ficaram apenas os terrenos queimados por paixões que arderam depressa demais. Amores que o tempo enterrou na memória, esperando que deles floresçam as sementes de uma vida nova. Segredos confessados sob tortura de um amor não correspondido. Deslumbramentos irresponsáveis e destruidores que nos levam à beira do precipício e nos coagem a saltar para o conforto vazio e punitivo de frases bonitas e sorrisos ensaiados.

Quero que o sangue escorra por entre cada inflexão do meu grito e se transforme em vida e esperança, enquanto o mundo renasce em frente dos meus olhos e o meu grito se dissolve por entre a bruma dos dias. Cada entoação de sofrimento e raiva será música que a brisa transportará para lá de qualquer pensamento. Sentirei o medo, a frustração e a indiferença desaparecerem por entre uma espera que aprenderei a suportar.

O corpo maltratado recuperará e a voz voltará a ser apenas minha. A garganta deixará de doer, as mãos deixarão de tremer e o peito deixará de se contorcer em agonia. O meu grito jazerá para sempre por entre túmulos de arrependimentos vãos e finalmente a minha alma poderá regressar, deslizar por debaixo da pele e aconchegar-me cada nervo. O calor regressará e o coração voltará a bater com a fúria e convicção que sempre possuiu. Cada alegria será um abraço pronto para reconstruir cada pedaço do meu corpo e, um dia, quando o renascimento doloroso e lento tiver finalmente terminado, a essência do meu grito elevar-se-á das profundas e levar-me-á pela mão, em direcção à paz de espírito… a única casa que sempre quis."

quinta-feira, 5 de junho de 2008

I'm in the mood for... (1)

... eh pá... o que eu ando viciada nisto :D


Yeah Yeah Yeah

I love you
but I gotta stay true
my morals got me on my knees
I'm begging please stop playing games

I don't know what this is
but you got me good
just like you knew you would

I don't know what you do
but you do it well
I'm under your spell

You got me begging you for mercy
why won't you release me
you got me begging you for mercy
why won't you release me
I said release me

Now you think that I
will be something on the side
but you got to understand
that I need a man
who can take my hand yes I do

I don't know what this is
but you got me good
just like you knew you would

I don't know what you do
but you do it well
I'm under your spell

You got me begging you for mercy
why won't you release me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said you'd better release yeah yeah yeah

I'm begging you for mercy
yes why won't you release me
I'm begging you for mercy

you got me begging
you got me begging
you got me begging

Mercy, why won't you release me
I'm begging you for mercy
why won't you release me

you got me begging you for mercy
I'm begging you for mercy
I'm begging you for mercy
I'm begging you for mercy
I'm begging you for mercy

Why won't you release me yeah yeah
break it down


"Mercy" by Duffy


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