Enquanto o novo cd dos Coldplay, com o estranho título de "Viva La Vida or Death and All His Friend" não chega às lojas, podemos ir-nos consolando com o novo single "Violet Hill"... :D
segunda-feira, 26 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
O vazio do teu nome

"Escrevo o teu nome na areia e vejo-o partir com a espuma das ondas. Peço ao mar que te leve de vez para longe de mim, que retire daqui de dentro a peça do puzzle que te pertence. Sei que varreste de debaixo dos teus pés todos os cacos de quem sou. A minha alma pulverizou-se com o peso do teu corpo. Dizes que ouves música na tua cabeça, deve ser por isso que não ouves os gritos daqueles que deixas estendidos no percurso.
Apagaste-me do teu mapa como uma povoação que ninguém conhece. Gostaria de fazer o mesmo mas não posso. Memorizo tudo e como tal, não tenho borracha forte o suficiente para te apagar. Assinaste o meu corpo com tinta da china. Vives comigo mesmo que já não dê por ti. És o criador daquilo que hoje sou. Já não flamejas, aquilo que resta de ti mais não é do que uma memória tépida. Quero construir memórias novas. Existiu uma vida antes de ti e existe uma depois. Quero fazê-la brilhar. Quero poder dizer que o hoje é melhor do que o ontem e de que o amanhã será brilhante, porque cada dia que passa estou mais longe de ti. Deixei de ser mero estilhaço. Se olhares para trás e me procurares verás que já não estou onde me deixaste. No meu lugar ficou apenas a minha caixinha de sonhos. Quanto a mim, caminho por aí sem rumo por estradas que não conheces. Perdeste o direito à tua criação. Escorri-te por entre os dedos como água… e tu tão cheio de sede. Não penses que a tua suposta solidão te glorifica. Não sabes o que isso é… nunca te viste verdadeiramente sozinho… simplesmente saltas de muro em muro à procura da vista mais aconchegante. E quando os muros acabarem? Voltas atrás e tentas começar de novo? Nessa altura abrirás os olhos e pela primeira vez verás todas as vítimas da tua guerra… os dedos gelados da solidão irão percorrer-te o corpo e transformar-te em pedra… provarás o teu próprio remédio e a tua verdadeira voz desaparecerá por entre as frinchas do teu coração.
Escrevo o teu nome na areia e espero que o mar te leve. Ao largo vejo o navio inacabado que pensei estarmos a construir. A luz do sol rasga as nuvens e mostra-me todos os furos no casco… a água continua a entrar mas não o afunda… Mantém-se à tona como o último sobrevivente de uma batalha que aguarda a autorização do seu comandante para a viagem derradeira até ao mais profundo do mar. Vejo-te na proa, olhas em frente, certamente procurando outro cais onde atracar e construir o teu porto de abrigo… espero que o encontres e lances finalmente a âncora que todos os que te amaram construíram em conjunto só para ti…
Apagaste-me do teu mapa como uma povoação que ninguém conhece. Gostaria de fazer o mesmo mas não posso. Memorizo tudo e como tal, não tenho borracha forte o suficiente para te apagar. Assinaste o meu corpo com tinta da china. Vives comigo mesmo que já não dê por ti. És o criador daquilo que hoje sou. Já não flamejas, aquilo que resta de ti mais não é do que uma memória tépida. Quero construir memórias novas. Existiu uma vida antes de ti e existe uma depois. Quero fazê-la brilhar. Quero poder dizer que o hoje é melhor do que o ontem e de que o amanhã será brilhante, porque cada dia que passa estou mais longe de ti. Deixei de ser mero estilhaço. Se olhares para trás e me procurares verás que já não estou onde me deixaste. No meu lugar ficou apenas a minha caixinha de sonhos. Quanto a mim, caminho por aí sem rumo por estradas que não conheces. Perdeste o direito à tua criação. Escorri-te por entre os dedos como água… e tu tão cheio de sede. Não penses que a tua suposta solidão te glorifica. Não sabes o que isso é… nunca te viste verdadeiramente sozinho… simplesmente saltas de muro em muro à procura da vista mais aconchegante. E quando os muros acabarem? Voltas atrás e tentas começar de novo? Nessa altura abrirás os olhos e pela primeira vez verás todas as vítimas da tua guerra… os dedos gelados da solidão irão percorrer-te o corpo e transformar-te em pedra… provarás o teu próprio remédio e a tua verdadeira voz desaparecerá por entre as frinchas do teu coração.
Escrevo o teu nome na areia e espero que o mar te leve. Ao largo vejo o navio inacabado que pensei estarmos a construir. A luz do sol rasga as nuvens e mostra-me todos os furos no casco… a água continua a entrar mas não o afunda… Mantém-se à tona como o último sobrevivente de uma batalha que aguarda a autorização do seu comandante para a viagem derradeira até ao mais profundo do mar. Vejo-te na proa, olhas em frente, certamente procurando outro cais onde atracar e construir o teu porto de abrigo… espero que o encontres e lances finalmente a âncora que todos os que te amaram construíram em conjunto só para ti…
Olho para a areia… o teu nome desapareceu… só cá ficaram as minhas pegadas, os grãos de areia e o esboço do meu nome que nunca ninguém escreverá…"
terça-feira, 13 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Nova oportunidade...
As batidas cardíacas são lentas e sem ritmo como uma brisa que deixa de soprar sem que notemos. O cansaço entranha-se por entre as fendas da alma e faz-nos esquecer de como se respira… de como se sonha… de como se vive… Cansaço das mesmas manhãs, tardes e noites… sempre os mesmos actores com guiões sem história… cenários aborrecidos e sem cor…
Subitamente o corpo quebra e a mente apaga-se... talvez já nada mais haja a dizer ou ninguém para ouvir… cada silêncio anula uma batida cardíaca… talvez mais não exista do que essa certeza de um caminho inaudível onde a paisagem não muda e nenhuma alma se cruza com a nossa… O silêncio tem destas coisas… A solidão tem destas coisas… O medo tem destas coisas… A indiferença tem destas coisas… A certeza vã tem destas coisas…
Quis forçar-me a acordar, a mudar o rumo do meu navio, mas o destino mantém-se o mesmo… terra de ninguém… nada desaparece… tudo se transforma… e aqui estou eu a meio do meu processo de transformação… talvez me misture de vez com o pano de fundo e cesse de existir por entre a poeira da estrada ou talvez me renove e renasça das chamas como uma fénix gloriosa na beleza da sua certeza de vida e da conquista de paz… talvez…
O cansaço permanece, mas se dantes era ininterrupto e castrador, hoje parece-me um pouco mais domado, viajando pelo meu corpo e alma em guinadas de dores paralisantes mas espaçadas… por entre cada espaço o ar parece circular e as palavras renascem num parto lento e doloroso… e aos poucos a brisa regressa pronta para ajudar a varrer o cansaço… e talvez depressa a brisa se transforme em vendaval e limpe a estrada de todo o entulho que não interessa guardar e o caminho surja um pouco mais leve e apetecível de percorrer… até lá…
P.S. – A todos aqueles que comentaram o meu último post, o meu muito obrigado pelo apoio… de coração :) … por enquanto o blog mantém-se… vamos ver até quando…
Subitamente o corpo quebra e a mente apaga-se... talvez já nada mais haja a dizer ou ninguém para ouvir… cada silêncio anula uma batida cardíaca… talvez mais não exista do que essa certeza de um caminho inaudível onde a paisagem não muda e nenhuma alma se cruza com a nossa… O silêncio tem destas coisas… A solidão tem destas coisas… O medo tem destas coisas… A indiferença tem destas coisas… A certeza vã tem destas coisas…
Quis forçar-me a acordar, a mudar o rumo do meu navio, mas o destino mantém-se o mesmo… terra de ninguém… nada desaparece… tudo se transforma… e aqui estou eu a meio do meu processo de transformação… talvez me misture de vez com o pano de fundo e cesse de existir por entre a poeira da estrada ou talvez me renove e renasça das chamas como uma fénix gloriosa na beleza da sua certeza de vida e da conquista de paz… talvez…
O cansaço permanece, mas se dantes era ininterrupto e castrador, hoje parece-me um pouco mais domado, viajando pelo meu corpo e alma em guinadas de dores paralisantes mas espaçadas… por entre cada espaço o ar parece circular e as palavras renascem num parto lento e doloroso… e aos poucos a brisa regressa pronta para ajudar a varrer o cansaço… e talvez depressa a brisa se transforme em vendaval e limpe a estrada de todo o entulho que não interessa guardar e o caminho surja um pouco mais leve e apetecível de percorrer… até lá…
P.S. – A todos aqueles que comentaram o meu último post, o meu muito obrigado pelo apoio… de coração :) … por enquanto o blog mantém-se… vamos ver até quando…
terça-feira, 8 de abril de 2008
The end?
sexta-feira, 4 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Poema do Homem Só
Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.
António Gedeão
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.
António Gedeão
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